Artigo: A luta pelo uso da maconha medicinal no Brasil: os limites das alianças e a atuação do biopoder
Em 2014, a luta de famílias pela regulamentação no Brasil do canabidiol (CBD), um dos canabinoides da cannabis sativa, trouxe força ao debate público sobre o uso medicinal na planta. O CBD, assim, passou a ser legal no país. Com o uso de teorias e métodos associados ao mapeamento de controvérsias, esse trabalho tem dois objetivos principais: 1) mostrar quais associações institucionais e de indivíduos possibilitaram essa regulamentação; e 2) como conceitos como o biopoder (Foucault) e agenciamento (Deleuze e Guattari) podem contribuir para entender o movimento dessa rede. Enquanto o mapeamento demonstra que a conexão entre demandas de famílias com o ativismo histórico da cannabis foi essencial para que uma necessidade individual se transformasse em luta coletiva, conceitos como o biopoder e agenciamento mostram as limitações e possibilidades dessa aliança. Agenciamentos e linhas de fuga apontam como a rede se movimenta para além da demanda discursiva específica dos atores para debates mais amplos sobre o entendimento da ciência, da medicina e do papel de agências reguladoras. Há uma tendência de atores institucionais, contudo, de atuar no lado da vida (uso medicinal em crianças), deixando a guerra às drogas (o deixar morrer) de fora do debate público.
Palavras-chave: Teoria Ator-Rede, maconha – uso terapêutico, canabidiol, Ciência Cidadã, micropolítica
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