A comunicação não violenta, sua “utilidade” — e seus limites.

 

A comunicação não violenta, popularizada no livro de Marshall Rosenberg, nos impele que, quando diante de uma frustração em face da conduta do outro, reconheçamos quais necessidades humanas fundamentais estão sendo violadas (autonomia, respeito, conexão e segurança). Diante disso, fazemos um pedido específico, expressando nossa necessidade: dizemos o que pode ser feito — e não o que deve ser evitado.

 

De forma prática, a CNV tende a tentar diminuir o efeito da dissonância cognitiva em face de um pedido “negativo”: o cérebro humano é programado para reduzir a todo custo a “dissonância cognitiva” — a perturbação de descobrir que cometemos um erro ou violamos nossos próprios valores. De forma automática e inconsciente, acionamos a autojustificativa para preservar nossa autoimagem moral e inteligente.

 

Pode ser interessante em alguns casos. Mas é preciso ter um pouco de senso crítico sobre a ideia. Tratar uma relação de dominação como se fosse apenas um “problema de comunicação” (onde bastaria usar a CNV para que tudo se resolvesse) ignora que o outro muitas vezes está jogando um jogo de estratégia e manutenção de privilégios, e não de busca sincera por conexão dialógica.

 

Sabemos reconhecer a diferença?

 

Mais reflexões no projeto do Entrelaços: https://chat.whatsapp.com/DKWR4iN5KpRBGHLJ3O8JyQ?s=cl&p=i&ilr=1


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